Você já parou para pensar como a sociedade enxerga quem tem uma deficiência?

Anjos, guerreiros, super-heróis… não faltam adjetivos para este grande grupo de pessoas (na verdade, 18,6 milhões delas de acordo com a PNAD, 2022), que tem algum tipo de condição que requer acessibilidade. O que muita gente não sabe é que justamente esse ponto de vista, que leva a pessoa com deficiência para um lugar fora do comum, que precisa sair da própria condição para galgar degraus e se igualar a uma pessoa comum carrega um viés muito negativo. Ao querer enaltecer a pessoa com deficiência, como se a condição dela fosse uma superação de provas, na verdade, acaba desumanizando.

Esse jeito de olhar quem tem uma condição diferente física, intelectual ou neurodivergente não contribui para que essa pessoa possa se juntar a toda uma sociedade. Ou seja: não promove a inclusão. E, ao não trazer essa pessoa em igualdade a todas as outras, acaba segregando.

 

A isso chamamos de “capacitismo”

O capacitismo é o preconceito e a discriminação direcionados a pessoas com deficiência, baseados na ideia de que elas são inferiores, incapazes ou que precisam ser “consertadas” ou se superarem para se encaixar num padrão considerado “normal”.

E isso pode aparecer de diversas formas: comentários que são direcionados às pessoas com deficiência – que até podem parecer inofensivos, mas que reforçam esse estereótipo, por exemplo: “nem parece que tem deficiência, é tão inteligente”. Em atitudes explícitas, como a exclusão em determinados espaços e a falta de oportunidades. Até em expressões que (infelizmente) ainda fazem parte do cotidiano de muitas pessoas, como: “Dar uma de João sem braço”, “Parecendo cego em tiroteio”, “Deu mancada”.

 

No mercado de trabalho não é diferente

As culturas organizacionais e o meio profissional refletem toda nossa sociedade, isto é, refletem também os nossos capacitismos. De acordo com o indicativo que faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD): Pessoas com Deficiência 2022, a população com deficiência no Brasil foi estimada em 18,6 milhões de pessoas de 2 anos ou mais, o que corresponde a 8,9% da população dessa faixa etária, e apesar desse número expressivo, as barreiras ainda são muitas. No mercado de trabalho, por exemplo, a desigualdade é evidente.

A Lei de Cotas estabelece algumas diretrizes que até são cumpridas, mas muitas vezes de forma superficial – apenas para preencher números, sem o preparo necessário para receber esses profissionais com deficiência: ambientes físicos inadequados, processos internos pouco acessíveis e ferramentas de trabalho que dificultam o desempenho das atividades e reforçam o afastamento. Além disso é crime – explicar….Artigo 88 da LBI (Lei 13.146/2015): “Constitui crime punível com reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos e multa: praticar, induzir ou incitar a discriminação de pessoa em razão de sua deficiência.”

 

Por que devemos falar mais sobre capacitismo?

Falar sobre capacitismo é necessário porque ele está enraizado na nossa sociedade. Faz parte de uma estrutura que define quem tem acesso, quem participa, quem é ouvido e quem fica de fora. A mudança começa quando passamos a enxergar o anti capacitismo como uma responsabilidade coletiva. O problema não está nas pessoas com deficiência, mas nas barreiras: físicas, sociais, comunicacionais e culturais – que as impedem de exercer seus direitos plenamente.

E quando atitudes capacitistas forem identificadas, é importante saber que existem canais para denúncia. O Disque 100, serviço do Governo Federal, recebe relatos de discriminação e violações dos direitos humanos, inclusive de pessoas com deficiência. A denúncia pode ser feita de forma anônima, por telefone ou online.

Reconhecer e enfrentar o capacitismo é um passo fundamental para construirmos uma sociedade mais justa, empática e plural.

FIM DO BLOCO – Neon Pink

 

Sobre a REIS:
Nascemos de um propósito: ampliar a empregabilidade formal de pessoas com deficiência no Brasil. E nessa jornada, entendemos que não basta abrir portas, é preciso transformar o ambiente. Por isso, apoiamos lideranças na criação de um ecossistema de negócios mais inclusivo, capaz de gerar trabalho digno, renda e oportunidades reais de prosperidade para milhões de pessoas com deficiência.
Desde 2012, reunimos grandes lideranças empresariais para dialogar, propor soluções e promover avanços concretos na inclusão desses profissionais no mercado de trabalho.

No Brasil, mais de 60 empresas de diversos setores já fazem parte da REIS – organizações que compartilham do compromisso de tornar o mundo corporativo mais diverso, plural e acessível.

Quer saber como sua empresa pode fazer parte dessa transformação? Envie uma mensagem para contato@reis.org.br para se associar! Vamos juntos transformar o mercado de trabalho em um espaço para todos.

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