
Realizado no dia 04 de dezembro, o 58º Encontro Temático da REIS reuniu participantes na sede da Ypê, em Campinas — empresa associada e anfitriã do encontro — para um dia de debates, dados inéditos e reflexões essenciais sobre inclusão e carreira.
A abertura foi conduzida por Rachel Rua, diretora de projetos do Instituto Locomotiva, que apresentou resultados atualizados da pesquisa de empregabilidade de 2024. Os dados mostram que a porta de entrada ainda é um dos principais desafios enfrentados por profissionais com deficiência, que 63% deles nunca receberam uma promoção e que a imensa maioria, nove em cada dez, já vivenciou situações de capacitismo no trabalho.
Em seguida, Djalma Scartezini, CEO da REIS, reforçou que o Brasil segue como referência global em ações afirmativas, mesmo em um cenário de retrocessos no debate público. Ele lembrou também que o país vive um processo acelerado de envelhecimento populacional, o que exige uma sociedade preparada para acolher essas mudanças.
“A pirâmide etária está se invertendo. Todos nós, em algum momento, podemos vivenciar limitações sensoriais ou de mobilidade. A sociedade precisa estar preparada”, destacou Scartezini.
O encontro contou, ainda, com a participação de Bruno Torres Nogueira, diretor de Contas no LinkedIn, que destacou que há uma grande quantidade de profissionais com deficiência altamente qualificados em busca de reconhecimento por suas competências.
“PcD também é alta performance. Existem 1,2 milhão de profissionais com deficiência e ensino superior completo no Brasil. Não há mais justificativas para dizer que não há talentos disponíveis.”, afirmou o ele.
A conversa evoluiu para temas como tecnologia, acessibilidade digital, impacto da inteligência artificial e formação educacional. Salomão Cunha Lima, especialista em Relacionamento Institucional e Arquiteto de Soluções de Impacto Social, reforçou que a automação já reduziu muitas vagas operacionais e que, por isso, fortalecer a Lei de Cotas e investir em cursos técnicos, superiores e de tecnologia voltados para PcD é ainda mais urgente.
Representando a Ypê, Débora Martins Calderon, gerente de Comunicação Interna, Engajamento e Diversidade & Inclusão, falou sobre o papel estratégico da comunicação interna na construção de ambientes verdadeiramente inclusivos. Ela enfatizou que não basta oferecer intérpretes de Libras ou outros recursos sem escutar diretamente as pessoas com deficiência sobre suas necessidades reais.
No encerramento, Djalma Scartezini provocou o público a refletir sobre sua própria responsabilidade no processo de inclusão, questionando o que cada pessoa fará ao abrir a próxima vaga em sua empresa. Ele reforçou que buscar ativamente a contratação de profissionais com deficiência é um compromisso coletivo e também uma estratégia de negócio.


