
No último Encontro Temático da REIS, realizado na sede da SOMPO, empresas, especialistas e profissionais se reuniram para discutir um tema urgente para o futuro do trabalho: A inclusão de pessoas neurodivergentes e os desafios estruturais que ainda limitam o acesso, a permanência e o desenvolvimento profissional dessas pessoas no mercado.
Com o tema “Práticas que Funcionam e Vozes das Pessoas com Deficiência: experiências, resultados e aprendizados”, o encontro promoveu uma troca sobre empregabilidade, acessibilidade, cultura organizacional e inclusão efetiva, conectando dados, experiências reais e reflexões sobre o que ainda precisa mudar nas empresas.
A programação contou com apresentação institucional da SOMPO, atualizações sobre as entregas da REIS, apresentação das cartilhas já publicadas pela rede e uma roda de conversa sobre práticas de inclusão, desafios do mercado e caminhos possíveis para ambientes de trabalho mais acessíveis e sustentáveis para pessoas com deficiência e pessoas neurodivergentes.
Djalma Scartezini, CEO da REIS, participou do encontro trazendo reflexões sobre a temática e reforçando a importância de repensar as estruturas corporativas a partir da diversidade humana e da inclusão verdadeira.
Neurodivergência no mercado de trabalho: inclusão ainda é um desafio estrutural
A discussão sobre neurodivergência ganhou destaque ao longo do encontro e trouxe um alerta importante: o mercado de trabalho ainda opera a partir de modelos limitados de comportamento, comunicação e produtividade.
Segundo dados do World Economic Forum, com base em estudos da Deloitte, cerca de 15% da população mundial é neurodivergente. Ainda assim, até 40% dessas pessoas estão fora do mercado de trabalho — e, em alguns contextos, esse número pode chegar a 85%.
Mais do que um dado sobre inclusão, esses números evidenciam um cenário de exclusão estrutural.
Neurodivergência é um termo utilizado para descrever diferentes formas de funcionamento neurológico, processamento de informações, comunicação, interação e percepção do mundo. Pessoas autistas, com TDAH, dislexia, dispraxia, altas habilidades, entre outras condições, fazem parte desse grupo.
Apesar disso, muitos processos seletivos e ambientes corporativos ainda são desenhados para validar apenas um padrão de comportamento profissional. Comunicação padronizada, leitura social rápida, excesso de estímulos, baixa flexibilidade e modelos rígidos de avaliação acabam funcionando como filtros comportamentais — e não necessariamente como identificadores de talento.
Ao longo do encontro, um dos principais pontos levantados foi justamente a necessidade de revisar estruturas, culturas e práticas corporativas para construir ambientes mais acessíveis, diversos e sustentáveis.
Inclusão de pessoas neurodivergentes exige mudança cultural e estrutural
As discussões reforçaram que a inclusão não pode ser tratada apenas como uma pauta pontual ou uma ação isolada dentro das empresas. A construção de ambientes verdadeiramente inclusivos passa por transformação cultural, revisão de processos e desenvolvimento de lideranças mais preparadas para lidar com diferentes formas de existir, comunicar e trabalhar.
Entre os temas debatidos estiveram:
- acessibilidade nos processos seletivos;
- adaptação de ambientes corporativos;
- retenção e desenvolvimento profissional;
- segurança psicológica;
- comunicação inclusiva;
- escuta ativa de pessoas com deficiência e pessoas neurodivergentes;
- indicadores de inclusão e impacto organizacional;
- práticas de empregabilidade que funcionam na prática.
O encontro também reforçou a importância de olhar para a inclusão como estratégia de inovação, sustentabilidade e desenvolvimento humano dentro das organizações.
Quer participar dos próximos Encontros Temáticos da REIS e aprofundar as discussões sobre inclusão, acessibilidade e diversidade no mercado de trabalho?


